Este Domingo celebrou-se o 15º aniversário da nossa Associação de Jogos de Simulação de Portugal, e qual foi a melhor maneira de comemorar esta feliz data? Ora, jogando, é claro!
Assim, logo desde a manhã, reuniu-se na nossa sede uma boa trupe de jogadores prontos a jogar três cenários distintos: combates urbanos no Iraque, em 2003 (Force on Force); a última resistência dos Anões, perdão, “pessoas de pequena estatura”, nas Minas de Moria (Senhor dos Anéis); e a tomada de Smolensk pela Grande Armée em 1812 (Shako II).
Como eu estava na sala onde se jogava Shako e Senhor dos Anéis, só apresentarei comentários e fotos destes dois jogos.
Antes de iniciar o relato, tenho de dar os parabéns a duas pessoas: Fernando Sousa e Eduardo Santos. Foi da sua lavra que sairam duas belas peças de cenário, a saber, a sala onde se deu a batalha entre os anões, perdão, “pessoas de pequena estatura”, e os Duendes e Ogres, perdão, “seres de aparência física não convencional”, e as fortificações de Smolensk que viriam a testemunhar muita acção.
Durante a sua ofensiva sobre a Rússia, Napoleão tentou a todo o custo apanhar o exército russo a jeito para lhe dar uma sova de todo o tamanho. Infelizmente para ele, os russos não estavam muito interessados em travar batalhas decisivas e optaram por uma estratégia de empate. Em Smolensk, Napoleão tentou encurralar os russos mas numa brilhante acção de retardamento, estes viriam a mostrar o seu desprezo por gente que só come salsichas e pernas de rã!





Eis o inimigo, na forma de cavaleiros e infantes wurtemburgueses e montes de polacos e franciús já a afiar as navalhas e a babar-se ante a iminência do saque da cidade.

Do outro lado da sala, uns atarafados “seres de aparência física não convencional”, convivem jovialmente durante os minutos que lhes restam antes de atacarem o último deduto das “pessoas de pequena estatura” em Moria.

Aqui, um conviva acabadinho de beber um enorme shot de tequilla com bastante picante e lagarta incluída. Até a sua espinha irrompeu em chamas!

E em Smolensk, começa o assalto! Ó pós polacos!

Os russos...

Olhós franciús todos lampeiros!

Na cidade, a infantaria russa aquece calmamente a água no samovar...


... enquanto o inimigo, sob um mortífero fogo de artilharia, se aproxima paulatinamente das defesas.

Já que falámos de artilharia, creio que é chegada a altura de revelar um dos segredos deste jogo.
Não sei bem porquê, hoje eu pude ser verdadeiramente chamado “O Artilheiro Fantástico” ou outro cognome dignificante ou glorioso, mas sempre ligado à artilharia. É que os meus canhões, em dezenas de disparos (o inimigo punha-se a jeito...), só falharam uma meia dúzia de tiros. A média do resultado no dado era de... bom, honestamente, creio que era de 5,5, com talvez um terço dos resultados a serem constantemente de 6! Basicamente, batalhão na mira era batalhão que comia! Foi muito giro!
Entretanto, as polacas lá chegaram ao primeiro reduto e não vinham propriamente com disposição para dançar a polka! Os russos em frente à cavalaria (ligeira) formaram quadrado, foram carregados e... eclipsaram-se! Em seguida, outro batalhão russo foi carregado pelos cavaleiros e saltou para fora da mesa. Felizmente para os russos, a infantaria polaca, apesar de furiosa no seu assalto, não foi muito feliz e as posições aguentaram.





Entretanto, de volta às minas, o Zangado, o Soneca e a restante trupe liliputiana não conseguiam dar conta dos duendes & friends e estavam a levar uma coça de todo o tamanho. Digamos que eles não estavam “à altura” da sua responsabilidade. Faltou-lhes um Danoninho...



De regresso à kalinka e demais fruta da época, ao centro da batalha as coisas aqueciam. Os polacos e wutemburgueses forçavam as posições russas e a coisa começava a ficar negra para os bravos defensores da pátria.



E também no extremo direito russo a situação agravava-se ante o avanço de uma massa monstruosa de infantaria franco-germânica.

No flanco esquerdo russo, mercê de uma providencial iniciativa e uns dados razoáveis no combate, os russos conseguiram limpar a mesa de dois regimentos de cavalaria inimiga e continuaram milagrosamente a aguentar os assaltos inimigos.



E de volta ao centro, bebido o chazinho, os russos lá pegaram pachorrentamente nos seus mosquetes (“tem mesmo de ser, meu polkovnik?”) e fizeram o frete de correr a tiro vários assaltos dos wurtemburgueses. Foi uma espécie de Tiro aos patos na Marianas, ou melhor, seria nas Marianes, não fosse o inimigo wurtemburguês em lugar de francês...


... pois o francês, esse, estava muio bem colocado (esperto) e atacou o flanco direito russo, qual tsunami! Até doi só de ver!

Mas enfim, no reduto ao centro a coisa não estava mais famosa...

E no flanco esquerdo, enfim, era a desgraça total.

Como a situação estava crítica, foi esse o momento escolhido para celebrar o aniversário, comer o belo do bolo e beber o espumante e wisky de 400 anos (era o que estava na caixa!!!)



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Voltámos às lides e este era o aspecto geral do cenário após a bebedeira geral:

Na esquerda russa os polacos eram victoriosos...

... mas os russos controlam a ponte, vital para a retirada.

No centro, os polacos controlavam o reduto mas estavam à beira de quebrar...

... coisa que aconteceu à Divisão dos wurtemburgueses que, esgotada de assaltar as defesas da cidade, foi mesmo enxotada como um cão!


Mas no melhor pano cai a nódoa, e a falta de efectivos para controlar as defesas de Smolensk ditou o resultado da batalha. A avalanche francesa no flanco direito russo tomou de assalto um baluarte e um pano de muralha e os russos, vendo as suas defesas furadas, optaram inteligentemente por DAR À SOLA!!!




Terminou assim o jogo, com os franceses vencedores, mau grado as pesadas baixas sofridas.