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Autor Tópico: Nova vida para velhos tanques - os Churchill VII Crocodile  (Lida 2816 vezes)

FMartins

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Nova vida para velhos tanques - os Churchill VII Crocodile
« em: 31 Dezembro 2012 01:43:06 am »

Como alguns de vocês sabem, o meu percurso em direcção aos jogos de guerra começou pelo modelismo, ainda eu era um jovem imberbe.

Hoje já não sou imberbe mas mantenho-me ainda jovem! Por essa razão, o “bichinho” do modelismo está sempre lá, e quando tenho possibilidades de voltar às práticas do corte, da lixadela e da massa de modelar, agarro essa oportunidade com unhas e dentes.
Recentemente chegaram-me às mãos uns modelos de carros de combate cujo destino, não fosse a minha “bondade” em os “adoptar”, seria porventura funesto. Os modelos, de natureza bastante razoável, não estavam nas melhores condições: a montagem não tinha sido a mais correcta, faltavam-lhe alguns pormenores, e claro, tinham de ser pintados.
 
 
Churchill VII Crocodile
O carro de combate Churchill é fruto das concepções algo anacrónicas dos projectistas britânicos, que separavam os carros de combate em três classes: os carros ligeiros (Light Tanks), que eram ligeiros em tudo excepto na velocidade; os carros rápidos (Cruiser Tanks), destinados a furar as linhas inimigas e supostamente rápidos; e os carros de infantaria (Infantry Tanks), destinados a apoiar a infantaria, lentos e pesadamente blindados. O Infantry Tank Mk IV Churchill foi o culminar desta linha de pensamento, tornando-se um dos mais bem protegidos carros de combate das forças aliadas.
Uma vez que eu já tinha dois modelos de Sherman da Guards Armoured Division, pensei em reconstruir e pintar os Churchill como carros usados pela 6th Guards Tank Brigade, que andou a militar mais ou menos pelos mesmos locais que a sua “alma gémea”.
O modelo de carro que eu adquiri foi o Churchill Crocodile, um carro lança-chamas que fazia o terror de todos os inimigos que se punham à sua frente. Ora, até aí tudo bem. O problema deste modelo em particular é que ele tinha por base o Churchill VII, uma versão tardia facilmente identificável pelo formato da torre e de umas escotilhas laterais redondas, o qual era raro na 6th Guards Tank Brigade, formação essa que praticamente só tinha Churchill III, IV e V CS.
 
A opção foi escolher uma outra unidade… e calhou dar de caras com uma entrevista dada por Ernest Edward Cox, um veterano do esquadrão “A” (“Esquadrão Classe A”, como se diria em brasilês!) do 141th Royal Armoured Corps  que, como condutor do “Stallion”, um bonito Churchill VII Crocodile, percorreu “as marcas das lagartas” das unidades da Guarda às quais, por vezes, esteve agregado.
 (http://tauranga.kete.net.nz/remembering_war/audio/show/32-full-interview-with-ernest-cox-royal-armoured-corp)
Ora, acontece que eu já tinha uma lista na qual já estavam  identificados um dos carros daquele esquadrão, o “Steed”, faltando identificar um segundo... que era o “Stallion”!
Pronto, estava escolhida a unidade! O terceiro carro que me sobrava seria o “Sandwich”, que era o de comando regimental.
 
Passei em seguida ao carro.
De raiz, o modelo apresentava dois problemas:
A torre do Churchill VII tinha um formato muito característico, que oscilava entre o rectilíneo do modelo III e o curvilíneo do modelo IV. Para além disso, tinha um declive na sua base, em direcção ao exterior, com o fim de evitar “shot traps”, mas tal declive, infelizmente, não estava presente neste modelo da Airfix. Tive de corrigir essa falha com recurso a Miliput e a umas boas limadelas. Aproveitei e trabalhei as escotilhas, que estavam muito mal coladas, e ainda acrescentei, às placas frontais das torres de dois carros, um par de “bossas”, que era um pormenor ostentado por alguns destes veículos (mas não todos).
 










Também não gostei do aspecto demasiado “moldado” dos cabos de aço colocados nas protecções laterais das lagartas, pelo que tive de os cortar e substituir por outros feitos com fio eléctrico enrolado e argolas feitas de arame e latinha. Os cabos ficaram bem, mas as argolas nem por isso...






De resto, gostei do aspecto do casco o qual só tinha umas incorrecções de pouca monta, facilmente ultrapassáveis.



















 
O problema principal deste Churchill estava, já se vê, na montagem, mais concretamente na montagem das escotilhas, do rodado e suspensões, a qual exige muita precisão e paciência. As rodas destes modelos estavam cada uma para seu lado, enfim, a precisar de muito trabalho de “alinhamento”. Nada que um bom alicate de pontas não resolvesse!








Relativamente às escotilhas, tive de as remontar todas, pois estavam mal coladas, optando por deixar as dos condutores fechadas (excepto no “Stallion”) e a dos comandantes abertas (excepto, também, num dos carros). Foi um trabalho delicado mas que no final deu os seus frutos.




Para além dos carros, também tive de prestar atenção aos atrelados que levavam os depósitos de combustível, pois tinham excesso de cola por todo o lado e as marcas do molde não estavam devidamente tratadas. O que eu fiz nos atrelados foi, basicamente, uma operação de limpeza, retirando tudo aquilo que estava a mais, usando Miliput para cobrir algumas falhas aqui e ali.
 
Com os modelos prontos, dei-me ao trabalho de os sobrecarregar com caixas, panos e demais apetrechos, em suma, com tudo aquilo que os carros de combate costumavam carregar “às costas” em campanha, tudo feito com recurso a peças avulsas, Miliput, lenços de papel enrolados, enfim, os truques básicos do modelista. Na torre do Stallion coloquei um simples pano de cor caqui (Khaki e English Uniform) e uma pá com estojo, que me sobrou de uma figura da Zvezda , mas para o Steed optei por colocar um pouco mais de cor na forma de dois "souvenirs" de campanha: um tapete turco "libertado" de uma casa francesa e um par de botas "libertado" de um Fallschirmjäger da Orion. Esses acessórios foram deixados à parte para serem acrescentados posteriormente aos modelos.




Para além disso, reaproveitei uma figura de um tanquista da Tamiya, com um corpo aceitável mas uma cabeça tenebrosa, e um par de cabeças da Plastic Soldier Company, uma das quais foi para o corpo Tamiya e outra, devidamente trabalhada (isto é, arredondada), acabou encaixada num corpo de condutor, feito em Miliput, o qual foi directamente para o Stallion, ou seja,... fiz o Ernest E. Cox,  o que dará sempre um pouco mais de “cor” ao modelo!
















Para a pintura, baseei-me, como sempre, nas fotos de modelos à escala que circulam pela net e nos conselhos do Artur Ramos que é, na minha opinião, o melhor modelista da AJSP e um dos melhores que eu conheço (e conheço dos bons!).

Depois de dar um primário com o nº 1 da Humbrol, fui fazendo um “crescendo” de cores, começando no USA Olive Drab da Vallejo (889) para pintar as partes mais escuras do modelo, adicionando em seguida uns 50% de Russian Uniform (924) para as partes intermédias e terminando com Russian Uniform “puro” para as zonas mais expostas. Como o meu aerógrafo não me permite traçar linhas nem fazer grandes pormenores, contentei-me em exercer o máximo de habilidade com o que tinha à mão, pintando o melhor que pude.




Depois de aplicada a “base”, atirei-me à técnica do pincel seco usando uma mistura de Russian Uniform com Khaki e Creme. Por ser “gradual”, ou seja, por se basear na aplicação em camadas de finas partículas de tinta, a técnica do pincel seco é demorada e fastidiosa, mas os resultados são óptimos.

Para realçar a superfície do modelo, misturei o Russian Uniform com Preto e usando o meu finíssimo Windsor&Newton Série 7, passei este tom mais escuro nas reentrâncias do carro.






Depois de um pequeno precalço relacionado com o Sandwich e uma criança de um ano e quatro meses (é a vida!), regressei às lides.

Depois de procurar, debalde, por decalcomanias para o 141th Royal Armoured Corps, optei por usar o velho método do pincel e mãozinha firme. Em primeiro lugar, para ajudar na pintura, desenhei, com lapiseira fina, os contornos das marcas tácticas dos carros (rectângulo com o número 993 para o 141th Royal Armoured Corps), dois triângulos em forma de ampulheta para a 31st Tank Brigade, e os triângulos e losângulo para os carros do “Esquadrão Classe A” (Stallion e Steed) e Comando Regimental (Sandwich).
Depois foi só pintar! Azul Intenso 925 misturado com Branco para os triângulos e losângulo, e uma mistura de Dark Olive 963 com outros verdes para as marcas regimentais e de Brigada. O símbolo da tonelagem seguiu o mesmo método.









Pintei as lagartas com côr metálica (Smoke, Preto e Prata), e em seguida, resolvi dar aos veículos uns toques de ferrugem, pois era algo habitual quando os mesmos estavam sob constante uso e sujeitos a todo o tipo de desgaste e agressões.
Para a ferrugem, usei várias misturas e patines com as seguintes cores: Flat Brown (984), Smoke, Light Brown (929), Escarlate (817) e Preto. A ferrugem foi abundantemente aplicada na saída do escape por detrás da torre, nas lagartas, nos cabos de aço e nalguns dos parafusos existentes no casco, e ainda fiz finas e discretas estrias verticais um pouco pelos veículos, a simular pequenos pontos de ferrugem que tinham escorrido. O resultado foi satisfatório.

Já perto do final, chegou aquela parte em que eu tentei simular o efeito da terra e lama que se acumulava nestes autênticos carros de combate todo-terreno que eram os Churchill. Basicamente, misturei Das Pronto (cor de terracota) com os flocos de serradura que uso para a flocagem das bases das minhas figuras e Smoke da Vallejo, para tirar um pouco o forte tom avermelhado do Das Pronto. Depois, ao dedo ou ao pincel, apliquei o produto no casco, rodas e lagartas dos carros e nos atrelados e respectivas rodas. Numa abertura lateral dos carros, perto das escotilhas, reproduzi um acumular de lama e palha que vi em fotos da época.







Por fim, com pigmento Sombra Queimada da Vallejo (73110) simulei a poeira acumulada nos veículos ao longo dos vários meses de operações, e com um pouco de Prata, realcei as zonas das lagartas que contactavam directamente o solo.

Ficaram assim os modelos basicamente concluídos, o que foi um bom exercício de modelismo, e em triplicado(!), para quem não se metia nisto já há muito tempo.











« Última modificação: 28 Fevereiro 2013 11:53:41 pm por FMartins »
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Faustnik

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Re: Nova vida para velhos tanques - os Churchill VII Crocodile
« Responder #1 em: 31 Dezembro 2012 07:22:52 am »

Nada mau para uma primeira experiência  :o

No próximo modelo, podes experimentar sombras mais fortes  ;) ;)

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Faustnik
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FMartins

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Re: Nova vida para velhos tanques - os Churchill VII Crocodile
« Responder #2 em: 31 Dezembro 2012 03:15:53 pm »

Ainda vou a tempo de fazer uns clareados com Russian Uniform, Branco e muito, mas mesmo muito pincel seco... E claro, ainda posso colocar mais uns extras, por exemplo extintores em scratch, ou a rede de camuflagem enrolada do lado da torre... mas não sei se estes pormenores valerão a pena.  :-\

No próximo jogo eu levo-os para apreciação "in loco".

Agora vou ver quais serão as próximas pinturas, se os soviéticos, se o segundo kettenkrad, se o flammpanzer, ou se me atiro a algum modelo de resina...  ???
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FMartins

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Re: Nova vida para velhos tanques - os Churchill VII Crocodile
« Responder #3 em: 24 Fevereiro 2013 12:06:46 am »

Infelizmente, acabei de ser informado por um administrador do site "Tauranga Memories" que o inspirador deste modelo, Ernest Cox, faleceu há uns meses atrás. Não pode assim, com grande pena minha, rever-se aos comandos do seu Crocodile...  :(
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