ForumAJSP

Por favor Entre ou registe-se.

Entrar com nome de utilizador, password e duração da sessão
Pesquisa avançada  

Notícias:

SMF - Just Installed!

Autor Tópico: Do not despise the snake for having no horns. Who knows it becames a dragon  (Lida 4930 vezes)

JEspecial

  • Associados e Convidados
  • Snr. Member
  • ******
  • Offline Offline
  • Mensagens: 400

Do not despise the snake for having no horns. Who knows it becames a dragon!*

Um dos primeiros exércitos que vi na minha vida (a dizer a verdade, deve ter sido o 3º, a seguir aos Seleucidas e Bizantinos do Miguel Morão) foram os chineses Han do Jorge Neto. As figuras não eram grande coisa, mesmo pelos standard da altura (finais dos anos 70) os cavalos pareciam ovelhinhas, mas o certo é que esse foi o meu primeiro contacto visual com um exercito chinês.

Eram uns gajos esquisitos, vestidos de quimonos  azuis e com alabardas enormes, uns carros grandes com parasol e cavalaria com pensões nas lanças que só muito mais tarde se “descobriu” que na realidade eram a lamina horizontal de uma arma chamada Gê, tambem conhecida por “dagger-axe”



Mas aquele exercito tinha uma coisa que sempre me ficou na retina (ou melhor no ouvido…) que eram as Historias que o Jorge contava de vez em quando, de um Imperio contemporâneo dos Romanos, gigantesco e remoto, mas ao mesmo tempo em contacto com “este lado do mundo”, onde problemas semelhantes ao do “lado de cá” foram encarados e resolvidos de formas completamente diferentes.

Era um outro planeta…

* Para quem não sabe, ou não se lembra, este "ditado" aparecia sempre no inicio dos episodios da serie "Liang Shan Po", acerca de um grupo de bandidos/rebeldes da época de transição entre as Dinastias Tang e Sung (seculo X). Recentemente descobri que afinal a serie é baseada num conjunto de historias populares (o equivalente chines ao Robin dos Bosques) intituladas "Os 108 herois de Liang Shan Po".

Mas atenção que estes 108 herois são todos generais e conmandantes, o que nos faz pensar em quantos seriam os tais bandidos/rebeldes...
Registado

JEspecial

  • Associados e Convidados
  • Snr. Member
  • ******
  • Offline Offline
  • Mensagens: 400

Sun Tzu disse:
" Os exercitos devem ser como rios, fluindo pelos vales e evitando as montanhas. Da mesma forma as dificuldades devem ser contornadas e as opurtunidades tomadas"

Uma das coisas que o Jorge contava era acerca de bestas de repetição. (Sim, sim! Existe mesmo, não é uma coisa inventada pela GW para os Dark Elfs)

Dizia ele que os chineses não só contentes em inventarem a besta antes dos ocidentais, tambem standartizaram as suas peças e componentes para as poderem fabricar em massa, isto pelo Seculo III AC, naquilo que é conhecido como o período dos Warring States. E que ainda por cima haviam bestas de repetição, que disparavam como metralhadoras.

Confesso que não acreditei em nada!

Para mim aquilo tudo muita brasa puxada á sardinha do Jorge. Como é que é possível no tempo de Alexandre o Grande já haver fábricas que faziam peças todas iguais? Obviamente um exagero de mandarins zelosos.

Até que lá por 1980 começaram a aparecer informações sobre o que estava a ser encontrado nas escavações do Exercito de Terracota 

http://en.wikipedia.org/wiki/Terracotta_Army

 e entre outras coisas, os fechos de gatilho das bestas (em bronze) eram todos iguais…

Yep! Havia mesmo fábricas na China, no tempo do Alexandre...

Se a besta foi uma solução para dar poder de tiro a um grande número de tropas sem as necessidades de treino que o uso do arco implica, já a besta de repetição foi a forma de exponenciar esse mesmo poder de tiro a niveis que só seriam retomados com a adopção de armas de fogo automáticas.



Aqui vai a receita:
Pegue-se numa besta e ponha-se uma caixa de madeira por cima da calha onde descansa o virote. Nessa caixa estão 15 virotes  de bambu sem penas para não interferirem uns com os outros e com a corda.

Depois de cada disparo uma alavanca serve para puxar a corda para tras e faz cair outro virote na calha.

Repetir 15 vezes em 10 segundos, até esgotar o carregador

http://en.wikipedia.org/wiki/Repeating_crossbow

É agora vamos pensar em 1000 homens (coisa pouca para a China…) com bestas de repetição: 15000 virotes em 10 ou 15 segundos…  Não deve haver nada á frente deles que não fique transformado em ouriço. É certo que não tem o mesmo poder de penetração de armaduras de uma besta de polé europeia, mas tambem os alvos preferênciais destas armas eram “Bárbaros do Norte”, que na sua maioria não primavam por terem armaduras muito pesadas.

A sua ultima utilização documentada foi na guerra com o Japão em 1894 e a sua invenção é atribuída a Zhung Liang, um general que viveu no seculo III DC, na Dinastia Han.*

 (* Hmmm… talvez fosse isto que meteu os Hunos em movimento para Ocidente…)
Registado

JEspecial

  • Associados e Convidados
  • Snr. Member
  • ******
  • Offline Offline
  • Mensagens: 400

Sun Tzu disse: "A vitoria na guerra depende dos cinco factores: Moral, Ceu, Terra, Disciplina, General."

Partilhava da visão generalizada de que só os japoneses é que eram giros, com aquelas armaduras lacadas e bandeirinhas na costas, e os chineses eram uma cambada de camponeses maltrapilhos e miseráveis; sem dúvida por causa da imagem de desenvolvimento que o Japão tem desde a 2GM, por comparação com o que se sabia da China de Mao. Tambem o cinema japonês dava-nos referencia visuais espantosas (quem é que não gostou de ver a manobra dos exércitos em RAN?) enquanto que da China (ou de Hong King) não nos chegava nada, tirando os filmes americanos do Bruce Lee.

Até que apareceu “Couching Tiger, Hiden Dragon”  (Aquele filme com a cena de esgrima nos bambus. Estão a ver como se lembram :)  ) e na sua sequencia apareceram vários filmes históricos chineses no cinema e na televisão. E para mim foi um choque visual porque uma coisa é ter como única referência figuras más dos anos 70, outra é ver coisas como isto:











Todo isto tinha um ar muito cool, com um espantoso impacto visual e cromático que rivalizava com os melhores Kurosawa. Os exércitos eram impressionantes, as armaduras eram giras, as armas eram espetaculares e a esgrima não ficava nada a dever aos samurais.
 
Tambem por esta altura começa a surgir bons ranges de figuras chinesas a 15mm para as diversas épocas, (Museum Miniatures, Chariot, Essex, Khurasan)  que batiam certo com o que se via dos filmes (mais penacho, menos penacho, que os responsáveis por guarda-roupa são todos iguais, seja em Holyhood, seja em Hong Kong)

Finalmente, as listas de exercito chinesas eram bastante diferentes das Ocidentais (apesar dos critérios e interpretação com que foram feitas serem MUUUIIIIITO discutíveis…) e com combinações de tropas como não havia nas outras.

Por isso, sabia que era uma questão de tempo ou de oportunidade até eu fazer um exercito Chines.
Registado

JEspecial

  • Associados e Convidados
  • Snr. Member
  • ******
  • Offline Offline
  • Mensagens: 400

Sun Tzu disse: " A disciplina pode ser forte e o general competente, mas se o Ceu não o permitir, a vitoria não ocorre, pois o mais forte dos exercitos é derrubado por ventos e neve como espigas no inverno"


A oportunidade surgiu há menos de um mês quando, numa deambulação pelo Ebay, dou com um lote de figuras chinesas (mas mesmo lote a granel, que quase não tinha descrição do que as 3 fotos cheias de figuras mostravam)

Consegui contar 8 carros com parasol e 4 cavalos, por isso seriam da epoca  entre o Zhou e Han, naquilo que se convencionou chamar “Periodo dos Estados Guerreiros” que termina quando o reino de Qin conquista todos os outros, dando origem ao Primeiro Imperador Shi Huangdi que depois veio a ser enterrado com mais de 6000 dos seus soldados de terracota



Um rapaz modesto, portanto, assim ao nível dum Keops e outros faraós “piramidais”.

Mais licitação, menos licitação, o certo é que vejo-me na posse de uns kilos de figuras de chineses a 15mm.

No entretanto já eu estava a puxar a manga ao Jorge Neto, (que é o único sinólogo  que eu conheço, por isso, toca de o melgar!) a pedir-lhe informações e imagens e livros e filmes e opiniões para listas e sei lá mais o quê!

Aguardei uma semana e picos para a caixa chegar e quando abri e separei tudo houve uma coisa boa e outra má que aconteceu.
« Última modificação: 02 Abril 2013 10:18:07 am por JEspecial »
Registado

JEspecial

  • Associados e Convidados
  • Snr. Member
  • ******
  • Offline Offline
  • Mensagens: 400

Efectivamente os carros eram 9 e faltava cavalos a um deles (no big deal…) mas tirando estes carros não havia mais figuras da epoca Qin. (Sec III AC) Estava á espera de infantaria e cavalaria com este aspeto



mas o que tinha era uma data de infantaria e cavalaria  da Dinastia Tang (sabor a limão) 700 anos depois dos Qin

Bom… portanto não dava para fazer um exército completo conforme esperava (seria o mesmo que misturar figuras de hoplitas gregos com catafractas bizantinos para fazer um exercito “Grego”) mas tinha ali bases bem solidas para dois exércitos.

Ai há uns 20 anos já me tinha “cruzado” com os Tang, na altura em que fiz Tibetanos e sabia que pelo menos tinham um tipo de tropa que nunca tinha usado em FOG:

 Catafractas.

Uma vista de olhos á lista dos Early Tang e o que é que vejo? Os catafractas são até 6, archeiros a cavalo pesados podem ser uma data deles, infantaria media com light spear (Ok. Não custa nada e dá POA contra tudo) apoiada por arcos/bestas COM espada (olha, olha… esta é boa!), mais uns besteiros tambem com espada (Nice!) uns auxiliares de tribos da estepe e mesmo no fim…

Catafractas Elite! E ainda por cima com roupas e armadura negra? Ui!!! Tem de ser feito!

Sai um Tang limão ali para a mesa do fundo!

A Dinastia Tang, (para alem de ter inventado os bolinhos cozidos a vapor)


é considerada com a Idade de Ouro da china antiga, a época de maior expansão territorial e de maior desenvolvimento cultural e literário ( e no entanto foi no seculo X, na dinastia Song que foi inventado o papel moeda o que provocou o primeiro grande boom económico chines…)

A condizer com este apogeu cultural, eles tambem tinham armaduras bem fixes!


Parece uma armadura japonesa, não é, com aquela mascara e tudo? Mas não é. É Tang  do seculo VI!

Outro exemplo de armaduras Tang, no caso Guardas Imperiais.


Estes já vêm a caminho da Khurasan!

E deitei-me logo ao trabalho!
Registado

JEspecial

  • Associados e Convidados
  • Snr. Member
  • ******
  • Offline Offline
  • Mensagens: 400

Ora bem já é altura de se começar a meter aqui aquilo que interessa: Fotografias de gajas!



Pronto, já está!

E agora vamos á segunda coisa que interessa mesmo! Fotos de figuras! No fim de semana  vou  tirar fotos como deve de ser, mas de momento aqui está um instataneo directamente da bancada de pintura.

Ora aqui estão os dois poderosos e valentes regimentos de Pu-ping do meu exercito: Á frente os corajosos e ageis "Tigres de Ulsan" com os seus escudo compridos com listad de Tigre e atrás os terriveis e poderosos "Trovão Celestial" nas suas armaduras vermelhas; todos comandados pelo brilhante general Kao Feng


Ainda falta uns pormenores nas bandeiras e flocar as bases.
« Última modificação: 04 Abril 2013 09:10:02 am por JEspecial »
Registado

FMartins

  • Associados e Convidados
  • Full Member
  • ******
  • Offline Offline
  • Mensagens: 190

Sempre me pareceu que esta treta toda do "ah, sim, os chineses e as suas armaduras, tinham catafractas e tal" estava toda ela relacionada com a Michelle Yeoh, a Kelly Hu e a divinal Lucy Liu!

Tu não m'enganas, pá!!!  ;)

Agora menos a sério, foi uma espécie de surpresa o ver a armadura Tan(g) com máscara e tudo "a la samurai", mas se pensarmos que a alta cultura japonesa foi brutalmente influenciada pela chinesa, isso não será de todo surpreendente. Desde os escritos militares (Sun Tze à cabeça) ao budismo e correspondente bushido, passando pela escrita (a escrita mais antiga e mais formal usada no Japão, a kanji, é chinesa), a China sempre foi a grande fonte de inspiração de toda a região envolvente. Por isso, até pelo interesse histórico em redor desses exércitos, estares a construir um exército do Chung Kuo é sempre estimulante.

Em todo o caso, preferia ser derrotado e dominado pela Lucy Liu!  :D
Registado

JEspecial

  • Associados e Convidados
  • Snr. Member
  • ******
  • Offline Offline
  • Mensagens: 400

Á cerca de 3 semanas acabei aquelas duas unidades que constituirão a base do meu exercito Tang (Sabor limão). Logo me lancei ao trabalho de pintar mais duas: Uma de besteiros e outra de infataria ligeira tambem com besta.

Se aquelas são a coluna dorsal do exercito, á roda das quais as outras unidades manobrarão, já estas são vectores de apoio e ataque.

A unidade de besteiros tem a benesse de tambem ter Sword, o que os torna tecnicamente iguais a Longbowmen face a montados e capazes de combaterem por algum tempo.

Os ligeiros... Bem, são ligeiros e estão lá para fazer aquilo que todos os ligeiros fazem :)

Vai seguir-se a infantria anti-cavalaria. Uns rapazes armadurados e com lanças, alabardas, arcos e escudos que os autores das regras na sua insondavel sapi~encia decidiram classificar como Heavy Weapon. (Que por acaso não conta contra montados no impacto...) Não faria mais sentido classifica-los como Defensive Spearmen? É como achar que um pelotão anti-tanque é equipado com metralhadoras.

Se calhar são Anti-Cavalaria porque esta tem preferencia em carrega-los ao invez do resto do exercto...

Mas siga para bingo! Ou melhor para Ma-Jhong!
Registado

JEspecial

  • Associados e Convidados
  • Snr. Member
  • ******
  • Offline Offline
  • Mensagens: 400

Hoje vamos falar da Mulan!

Sim, desta Mulan :


Ou melhor do seu protótipo histórico:


A historia começa quando Hua Mulan tem se disfarçar de homem para ir para o exército em vez do seu pai que está muito velho para ir. Como este não tinha filhos, esse dever recai sob Mulan, para não desonrar a tradição familiar e tambem para não perder os benefícios fiscais da família, associados ao serviço militar.

Efetivamente, pelo menos desde a época Han, (Seculos IAC a 2DC) mas talvez seja ainda mais antigo, na China os soldados são provenientes de famílias militares que em tempo de guerra fornecem um soldado (Creio que com equipamento e armas…) em troca de benefícios fiscais. Tambem era normal que na conclusão de uma campanha vitoriosa um soberano desse dois ou três anos sem impostos á família de cada soldado.

Não deixa de ser interessante este triangulo “Impostos- Serviço Militar-Familia”. De certo modo, nele está resumido o coração da China: Impostos e as suas isenções implicam Estados centralizados e burocráticos; o serviço militar visto como uma profissão que deve ser desempenhado por cada um o melhor possível , e a família a que se pertence e os antepassados que se honra.

O serviço militar sempre teve um elevado estatuto social (mesmo o mais simples soldado de infantaria está acima do camponês) e era uma forma de ascensão social (do individuo e da família) que podia ir até Imperador. Só a partir da época Ming (nosso sec XVI) é que os militares começam a ser vistos como uma fonte de turbulência e perigo para o Estado, o que leva ao progressivo desleixar de todos os aspectos militares, do treino e disciplina, ao desenvolvimento tecnologico.(Que, só para deixar bem claro, até essa época estava em paridade ou mesmo superioridade em algumas áreas – Logistica e armas de fogo, por exemplo - em relação ao  Ocidente) Precisamente na altura em que os Europeus começam a entrar em contacto com a China…

É a partir deste desleixo das coisas militares e da sucessão de derrotas catastróficas que dele advem (Guerra do Opio, Revolta dos Boxers, Cerco de Pequim) os chamados “Tratados Desiguais” com as potencias Ocidentais (e depois com o Japão) e a imagem miserável e de massa informe e anónima que a China teve durante todo o seculo XX

Porque neste seculo a China está a retomar o lugar que sempre teve no mundo. Economicamente e não só…


Registado

JEspecial

  • Associados e Convidados
  • Snr. Member
  • ******
  • Offline Offline
  • Mensagens: 400

Depois de manobras no extremo Ocidente contra as tribos barbaras, eis os poderosos cavaleiros de regresso. Primeiro temos uma unidade de cavalaria. São archeiros a cavalo do mais alto gabarito, mas tambem hábeis no uso da lança. Reparem nas bandeirolas às costas do seu comandante, significando ordens recebidas do General.



É possível que este hábito de meter as bandeiras de ordens no cinto, esteja na origem do futuro sashimono japonês, mas neste caso com função bem diversa.

Depois vêm duas unidades de cavalaria ligeira, velozes como o vento e certeiras nas suas flechas, perseguindo os bárbaros pela estepe



Registado
 

Página criada em 0.641 segundos com 53 procedimentos.