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Autor Tópico: Kivu, República Democrática do Congo  (Lida 2331 vezes)

FMartins

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Kivu, República Democrática do Congo
« em: 26 Maio 2014 08:44:21 pm »

Numa reportagem inédita para a ITN, a nossa correspondente na República Democrática do Congo, Márcia Henriques, deslocou-se à zona de Kivu, no Leste do país, onde acompanhou um grupo dos rebeldes Hutus das Forças Democráticas de Libertação do Ruanda.



- Márcia, como é que descreves a situação no terreno?
- Zé, como podes ver, encontramo-nos numa aldeia na zona de Kivu para onde se dirigiu este grupo da FDLR. Vou agora dirigir-me a um dos líderes deste movimento, o comandante Caveirinha, para lhe perguntar o que estamos aqui a fazer.

- Bom dia, Márcia Henriques da ITN, posso falar consigo?
- Bons dia. É prôs têlêvisão?
- É sim. Os senhores vieram a esta aldeia… existe alguma razão para estarmos aqui?
- É, é sim. Á cámara está á gravar os nós?
- Sim, está. Mas posso saber se…
- Aqui nos África tá-se bêêêm, né? Iô! Nós tâmo aqui prá defendê o povo, pá. E aqui nos aldêa está uma dama braaanca, e nós Hutu gosta dos dama braaanca, eheheh! À gente qué ficá com os dama branca por causa dos ONU, áqueles com capacete azul, e por causa dos gente do Kabila, qui são maus, muito maaaaus. Á gente não gosta dos gente do Kabila. E à gente não gosta dos gente dos ONU. Mas à gente gosta dos daaaama!

- José, interrompo esta entrevista porque parece que estamos a ser alvo de uma ofensiva por parte… espera… o camaraman está a tentar aproximar-se, não sei se consegues ver alguma coisa, Zé…
- Consigo, Márcia. Estamos a ver claramente que estão a aproximar-se forças governamentais e um grupo que parece ser constituído por mercenários.
- Exactamente! Aliás, parece que estamos a ser atacados por dois lados, do Sul por tropas do governo e do Oeste por forças governamentais e mercenários, apoiados por um technical, daqueles carros com metralhadoras em cima.





- Agora os combates desenvolvem-se junto a uma das casas, parece que os rebeldes estão a resistir… está aqui uma senhora numa cabana, indiferente aos combates e prestes a dar à luz… dois dos mercenários estão a fugir debaixo de fogo, parece que estão feridos, sim, confirma-se estão mesmo feridos… mas espera… as tropas congolesas estão agora a cercar uma das casas e está-se a gerar um forte tiroteio…








- Márcia, desculpa interromper-te mas o nosso consultor, Nuno Bruteiro, acabou de nos dizer que nessa aldeia está uma médica norte-americana de uma equipa da AMI, Mary Ann Sue, filha de um rico milionário texano… e pelo que consta em sites da especialidade, ele contratou private military contractors, mercenários, da Black Adler Inc. Estamos, portanto perante uma verdadeira batalha africana, com rebeldes, forças governamentais e mercenários. ISTO É EXTRAORDINÁRIO, CAROS TELESPECTADORES! Não se via nada assim desde os tempos da secessão do Katanga, dos tempos do Mike Hoare e do Bob Denard!

- Zé, o grupo do comandante Caveirinha, o homem que entrevistei ainda há pouco, acaba de entrar em acção. Os mercenários respondem com uma metralhadora pesada em cima de um jipe mas os rebeldes continuam a resistir… Zé, acabo de receber a notícia: O COMANDANTE CAVEIRINHA ACABOU DE MORRER, repito, O COMANDANTE CAVEIRINHA ACABOU DE MORRER! É um duro golpe para os rebeldes da FDLR. Mas parece que os mercenários também já tiveram a sua conta, pois aparentemente travaram a sua progressão. Não sei se será táctica ou se se trata de falta de coragem, mas as coisas estão pretas para estes mercenários.
- Pretas não, Márcia, africanas.
- Hã? Desculpa. Não percebi o que diss…
- Esquece. Márcia aqui em Portugal estamos interessados em saber como é que os civis dessa aldeia encaram estes confrontos. Já que estás aí, poderias entrevistar algum dos “locais”?

- Vou tentar entrevistar alguns civis, para saber a sua opinião. Está aqui uma senhora numa cubata… mas não, ela está prestes a dar à luz, tal como a outra de há bocado… vou aproximar-me de uma civil aqui no terreiro da aldeia.
- Bom dia, sou a Márcia Henriques, da ITN. A senhora está no meio deste tiroteio? O que é que acha desta situação?
- Baaaa!
- Estou a ver. A senhora era apoiante do comandante Caveirinha, ou dá preferência a Kabila?
- Baaaa!
- Então, para si, é-lhe indiferente quem ganhe ou quem perca? Mas não acha que ter balas a passar por cima da sua cabeça é algo stressante?
- Baaaa!
- Bom, parece que esta senhora só fala o dialecto local, vou tentar apanhar mais imagens dos confrontos aqui nesta aldeia.



- Estamos agora a mostrar imagens das forças governamentais vindas do Sul, que estão agora a avançar ao longo da estrada… e um camião com um ZPU acabou de aparecer lá ao fundo.





… Espera… Zé, acabei de ouvir um dos rebeldes dizer que o Comandante Caveirinha está a comandar mais um grupo de rebeldes! Caveirinha não morreu, repito, Caveirinha não morreu! E …CUIDADO!



- Márcia, passou-se alguma coisa? Deixamos de ver imagens…
- Não, Zé, está tudo bem, um RPG foi disparado pela equipa do comandante Caveirinha, escondida na loja de um libanês, Abdul Abdallah Bin Abdallah, situada mesmo ao lado do edifício da Gendarmerie.
- Estamos, portanto, a assistir a uma troca de tiros de armas pesadas?
- Sim e não, Zé. Os RPG da FDLR são antigos e enferrujados, e as granadas, como se diz na gíria militar, estão chochas… Espera! As armas pesadas do exército preparam-se para disparar…



 Ra-ta-ta! Bum! Bum! Bum! Ra-ta-ta! Bum! Bum! Bum!

- Zé, o barulho é ensurdecedor! Até os macacos caem das árvores! A loja do sr. Abdul está a ficar como um queijo suíço… espera, acabei agora de saber… O COMANDANTE CAVEIRINHA ACABOU DE MORRER, repito, O COMANDANTE CAVEIRINHA ACABOU DE MORRER! É um duro golpe para os homens da FDLR.
- Então, Márcia, podemos dizer que os rebeldes estão a prestes a ser derrotados?
- É difícil de dizer, Zé. Os homens são muitos duros e continuam a resistir. Vou tentar obter uma nova entrevista…

- Bom dia, sou a Márcia Henriques, da ITN… mas… COMANDANTE CAVEIRINHA??? O senhor nunca mais morre?!?!
- Éu, esmorré??? Tá dóida! Éu nuns morre, pá!!!
- É notável! O senhor tem uma capacidade de resistência acima do normal! Como é tem enfrentado as forças atacantes?
- É pá, isto tá difííícil, tá mali, mali, mali! São muitos, pá! Vem uns di lá, outro dali, dipois tens os brânco, que são moli mas têm muitas arma, e dipois os tipo dos Kabila tem uns canhão qui distroi tudo, tudiiinho. Deixou os loja dos árabe tudo québrado, matou os galinha, matou os mandioca e os feijão, mata tudo, pá!
- Mas vocês têm usado os vossos RPG. Porque é que não conseguiram destruir os veículos inimigos?
- Os qué???
- Os vei… os carros.
- Ah, os carro! Pois. Os RPG também foram vendido a nós pelos árabe. Foi barato. Mas não faz nada, né! Ah, mas á gente gosta dos RPG, fica bê ná foto, com á gente com os óculuscuro espelh… espalh.. com espelho nos vidro dos óculo! Fica bonito!
- Sr. Caveirinha, parece que as coisas estão a aquecer por aqui, uma das cubatas já está a arder e tudo por isso vou ali para o pé da missão e desejo-lhe as maiores felicidades.
- Brigado!



- Zé, estamos agora a ir para o pé da missão, acabo de passar por uma senhora numa cabana que está prestes a dar à luz…o tiroteio continua intenso e as forças governamentais continuam a disparar furiosamente sobre os homens da FDLR… mas atenção, estou agora a ouvir… confirma-se… atenção Zé, O COMANDANTE CAVEIRINHA ACABOU DE MORRER, repito, O COMANDANTE CAVEIRINHA ACABOU DE MORRER! É um duro golpe...
- Desculpa lá, Márcia, mas não achas que já te calavas com essa história? Toda a gente já percebeu que o Caveirinha É IMORTAL!
- Eeeh, peço desculpa, Zé, prometo que não volta a acontecer. Olha, estão a chegar aqui à missão os homens da equipa do comandante Caveirinha o qual NÃO ESTÁ COM ELES! Parece que vais ter de engolir as tuas próprias palavras, Zé. Vou aproximar-me deste grupo:
- Bom dia, sou Márcia Henriques da ITN. O vosso comandante parece não estar convosco, passou-se algo com ele?
- Com os comandante? Nããão! Estávamo nos cubata e os kabilas comêçaram à dispará. O chefe tinha uma colecção di garrafa di cervêja e ficou tudo partido, a cervêja no meio do chão do cubata, uma pena, té dava dó.
- Os chefe ficou à chorá! Ficou di joêlho no chão
- O vosso chefe foi atingido?
- Não! Os chefe ficou di joêlho no chão e a gritar “Nããão, o meu colecção di cerveja!!!”. A gente deixou lá o chefe. O chefe tá parvo, onde já si viu? Si fosse á gente, nós lambia o chão do cubata pra bebé o cervêja!



Ra-ta-ta! Ra-ta-ta! Ra-ta-ta!

- Ups! Zé, a nossa entrevista acabou de ser interrompida. Deste grupo só sobrou um elemento. O senhor deseja prestar algumas declarações?
- Éu??? Éu tou nos fora!!!
- E pronto, Zé, parece que as forças da FDLR acabaram de se eclipsar. De Kivu, República Democrática do Congo, Márcia Henriques para a ITN.
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PMorais

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Re: Kivu, República Democrática do Congo
« Responder #1 em: 27 Maio 2014 08:33:52 am »

Muito bom!
O cenário está espectacular e a narrativa não lhe fica trás.  ;D
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Re: Kivu, República Democrática do Congo
« Responder #2 em: 27 Maio 2014 11:06:39 am »

É sempre um gosto ver as mesas para Force on Force ...

Gosto da narrativa mas o homem com a rpg de camisa com smile é priceless

Tenho de enviar um report para esse cenário mas munido de guarda costas, tipo black water ...  8)

Abraço
Rui
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JEspecial

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Re: Kivu, República Democrática do Congo
« Responder #3 em: 28 Maio 2014 08:09:44 am »

Só tenho pena que estes jogos  só sejam anunciados para "os do custume".
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Re: Kivu, República Democrática do Congo
« Responder #4 em: 28 Maio 2014 09:12:05 am »

Estou interessado em jogar Force on Force (ou algo similar tipo Operation Squad ou Skirmish Sangin) mas a 28mm.

De qualquer forma, sim, gostava de saber quando se vão realizar jogos para tentar assistir.

Na noite dos museus tive ocasião de lançar uns dados.

Abraços
Rui
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Faustnik

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Re: Kivu, República Democrática do Congo
« Responder #5 em: 01 Junho 2014 05:35:35 am »

Foste repescar este AAR  ;D ;D ;D ;D ;D ;D


Estou interessado em jogar Force on Force (ou algo similar tipo Operation Squad ou Skirmish Sangin) mas a 28mm.

De qualquer forma, sim, gostava de saber quando se vão realizar jogos para tentar assistir.

Bem proximamente tencionamos realizar um cenário de Force on Force, mas no Vietnam (AmbushValley) e mesmo a 28mm.

O problema do 28mm, para nós, é que sendo um grupo vocacionado para 20mm, o material de cenário a essa escala escasseia - ou é mesmo quase nulo para este período.

Só tenho pena que estes jogos  só sejam anunciados para "os do custume".

Como já disse anteriormente, os jogos são sempre anunciados pelo Filipe no FB da AJSP, por isso é só estar com atenção....

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Faustnik
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Re: Kivu, República Democrática do Congo
« Responder #6 em: 01 Junho 2014 02:09:00 pm »

Enquanto procurava por produtos para Force on Force:

http://www.banduawargames.com/es/tokens/4351-tokens-para-force-on-force.html


Disponível em inglês  ;)
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