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Autor Tópico: A Estrda do Cairo  (Lida 9957 vezes)

JEspecial

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A Estrda do Cairo
« em: 09 Fevereiro 2012 12:56:21 pm »

Esta é a minha história da construção de um exército para FOG: Napoleónico.

Napoleónicos foi o primeiro período que joguei (ainda antes de Antiguidade!) tinha eu 18 anos, portanto há mais anos do que aqueles que gosto de me lembrar. Jogava-se com as regras do Bruce Querry e com figuras 20mm (1/72) da Airfix. Logo nessa altura fiz um exército francês e desde então sempre fiz exércitos franceses para napoleónicos e já lá vão 2 a 15mm, com um início de Austríacos lá pelo meio, vendidos para fazer… mais um exército francês!

Quando à 10 anos comecei a preparar o meu regresso ao período napoleónico escolhi o exército que iria modelar. Tinha de ser francês (claro!) mas queria fazer algo diferente que não o tradicional exercito de casaca azul e shako do período de 1807 – 1815.





Por isso estava a apontar para antes de 1807, quando ainda se usava bicornio. Daqui até aos exércitos da Republica (1792 – 1800) foi um passo, com infantaria de uniforme real a branco e os republicanos a azul, capacetes que nunca mais foram usados, oficiais emplumados e claro, guilhotinas e balões de ar quente para o colorido.






(è verdade! O exército republicano francês foi o primeiro do mundo a ter meios aéreos. Cada exercito tinha pelo menos uma Conpagnie d’ Aerostatiers com 10 a 20 balões fixos para observação do inimigo. Depois o Napoleão achou que não serviam para nada e acabou com eles)

Procurei nos diversos exércitos da Republica por um que tivesse uma história gira e pudesse ser modelado na sua totalidade ou pelo menos em grande parte e tive dois candidatos cada um com cerca de 40.000 homens:

 - O Exercito de Itália da campanha de 1796 (A campanha de blitzkrieg com que Napoleão obriga a Áustria a render-se e com a qual salta para a ribalta politica e militar)

 - O Exercito do Oriente de 1798 a 1801 (da invasão do Egipto)

E aqui parei…

A campanha do Egipto foi das coisas mais absurdas das mutas coisas absurdas que o Diretorado fez. Teoricamente a ideia era usar o Egipto como uma base para atacar o Imperio Britânico na India (é perto…) e libertar o Medio Oriente do jugo Otomano. E isto numa época em que o Canal do Suez não existia, o Imperio Britânico não tinha conquistado toda a India, nem os árabes ainda achavam que eram oprimidos pelos turcos. Só dali a 70 anos é que estes pressupostos estratégicos fariam sentido! No entanto, lá foram 200 navios com 40.000 sodados e a nata dos jovens generais do Diretorado (Bonaparte, Kleber, Desaix, Murat, Eugene, Berthier) direitos a Alexandria, com paragem em Malta.



E no entanto o impacto deste exército na Historia futura foram imensos!

Com efeito é graças a esta expedição que o Egipto antigo é descoberto, levando á decifração dos hieróglifos em 1824 e á criação do Institut de L’Egypt e com isso tudo o que hoje sabemos das grandes civilizações do Bronze.



Por outro lado os franceses deixam no Egipto uma impressora moderna, como não havia no Medio Oriente, o que dá origem a uma explosão cultural árabe, que irá ser uma das raízes da crescente oposição ao Imperio Otomano e da Revolta Árabe de 1916. Finalmente a expedição termina com a ocupação britânica, que (só então!) começa a considerar o Egipto como uma boa plataforma logística, a meio caminho entre a India e a Grã-Bretanha. Se ao menos houvesse um canal a ligar o Mediterrâneo ao Mar Vermelho…

Finalmente o Armée D’Orient é o primeiro exercito europeu que penetra em Africa com objetivos de conquista a apontar para cenários globais (desde os Portugueses em 1415 – 1640) percursor de tantos outros durante o seculo XIX

Mais do que influenciar o presente, esta expedição molda o futuro, com repercussões que chegam até aos nossos dias

Estava escolhido o tema!


« Última modificação: 09 Fevereiro 2012 12:59:39 pm por JEspecial »
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JEspecial

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Re: A Estrda do Cairo
« Responder #1 em: 09 Fevereiro 2012 03:47:32 pm »

Vamos ver a constituição do Exercito do Oriente

•   Commandant en chef: Général Napoléon Bonaparte
•   Chef d'état-major : Général Louis-Alexandre Berthier
Guides de Bonaparte : Cerca de 1000 homens a cavalo e a pé

Division Desaix
Comandante: Général Louis Charles Antoine Desaix
•   Efetivo: 5 600 homens
o   21e demi-brigade d'infanterie légère : 2 100 homens
o   61e demi-brigade d'infanterie de ligne : 1 900 homens
o   88e demi-brigade d'infanterie de ligne : 1 600 homens
 
Division Reynier
Comandante: Général Jean-Louis Reynier
•   Efectivo: 3 450 homens
o   9e demi-brigade d'infanterie de ligne : 1 620 homens
o   85e demi-brigade d'infanterie de ligne : 1 840 homens

Division Kleber
Comandante: Général Jean-Baptiste Kléber
•   Efectivo: 4 900 homens
o   2e demi-brigade d'infanterie légère : 1 450 homens
o   25e demi-brigade d'infanterie de ligne : 1 650 homens
o   75e demi-brigade d'infanterie de ligne : 1 800 homens
 
Division Menou
Comandante: Général Jacques-Francois Menou
•   Efectivo: 5 200 hommes
o   22e demi-brigade d'infanterie légère : 1 100 homens
o   13e demi-brigade d'infanterie de ligne : 2 500 homens
o   69e demi-brigade d'infanterie de ligne : 1 600 homens

Division Bon
Comandante: Général Louis André Bon
•   Efectivo: 4 700 hommes
o   4e demi-brigade d'infanterie légère : 1 100 homens 
o   18e demi-brigade d'infanterie de ligne : 1 650 homens 
o   32e demi-brigade d'infanterie de ligne : 1 950 homenss
 
Division Dumas (cavalerie)
 Comandante: Général Alexandre Dumas (depois Murat)
•   Effectif: 3 050 hommes
o   7e régiment bis de hussards : 630 homens
o   22e régiment de chasseurs à cheval : 280 homens
o   3e régiment de dragons : 390 homens
o   18e régiment de dragons : 330 homens
o   14e régiment de dragons : 640 homens
o   15e régiment de dragons : 230 homens
o    20e régiment de dragons : 530 homens

Division Dommartin (Artillerie)
 Général Elzéard de Dommartin
•    171 peças de artilharia das quais:
o   35 canhoes de cerco (24 e 36 lbs)
o   24 obus
o   40 morteiros
•   Efectivo: 3 150 hommes
•   Distribuidos da seguinte forma:
o   5 Companhias de Artilharia Ligeira (a cavalo)
o   14 Companhia de Artilharia a pé
o   9 Companhias das demi-brigades
o   
Division Caffarelli (Génie)
•   Général Maximilien Caffarelli du Falga
•   Efectivos: 1 200 hommes
o   775 sapadores
o   190 mineiros
o   165 artesãos
o   25 balões





E agora vamos ver como é que vamos traduzir isto para unidades de Fog:N.

Nestas regras cada unidade de infantaria representa um regimento continental ou brigada inglesa de cerca de 1000 a 1500 homens com 4 bases quadradas de 3cm com 6 figuras a 2 filas; ou então regimentos maiores ou amalgamados de 1500 a + 2000 homens com 6 bases.

Já a cavalaria é formada em unidades de 4 bases representando 500 a 600 sabres ou em unidades de 6 bases, para massas de 1000 sabres. Cada base de artilharia representa 4 a 6 bocas de fogo, sendo as baterias constituídas por 2 a 3 bases.

Por isso:

•   Commandant en chef: Général Napoléon Bonaparte
•   Chef d'état-major : Général Louis-Alexandre Berthier
Guides de Bonaparte : Cerca de 1000 homens a cavalo e a pé

A primeira parte é facil! Uma base grande com 5cm de diametro com o Petit Caporal e um Berthier agarrado aos mapas, a cavalo (ou em dromedário… :P) com uma escolta. O único problema é que todas as figuras do Corso que encontro são de Napoleão e não de Bonaparte, que é como quem diz de um individuo gorducho e em poses recatadas de sobretudo, e não do General franzinho da ponte de Lodi. Portanto vamos ter de faze-lo a partir de uma figura de general, eventualmente com um transplante de cabeça.

Já os Guides de Bonaparte deram-me agua pela barba… Só recentemente é que descobri (French Revolution Infantry – Osprey) que os Giudes eram guardas pessoais dos comandantes de Excercito (inspirados no Comitatus Romanos) equipadas e armadas a expensas do próprio general. O Dumouriez tinha Guides, o Jourdan tinha Guides e o Bonaparte também!

Mas que aspecto é que estes Guides tinham?

Aqui entra um outro livro incontornável: “The Anatomy of Glory”: O livro acerca da Guarda Imperial Francesa. Ora nos seus capítulos iniciais, acerca da formação da Guarda Consular a partir de vários corpos de Guardas que existiam, vejo que os Caçadores a Cavalo da Guarda (agora Consular posteriormente Imperial) foram formados a partir dos Giudes de Bonaparte!

Para finalizar, na “Decouverte de l’Egipt” que compila o levantamento cientifico feito no Egipto (e editado em forma reduzida e formato de bolso, que se encontra na FNAC por apenas 20€!) numa pintura com vários franceses, civis e militares de volta de umas antiguidades, nada mais, nada menos do que um Caçador a Cavalo da Guarda, de busby e tudo




Portanto os Guides de Bonaparte podem ser feitos com figuras de Caçadores a Cavalo da Guarda





Só que… O busby não era usado no exercito francês, seja no Ancien Regime, seja na Republica! E o tal quadro da “Decouverte de l?Egipt” foi pintado em 1830… E chapeu que os Caçadores (seja a pé, seja a cavalo, já que no Anciem Regime ambos tinham o mesmo uniforme e estavam agrupados em Legioes) era este:




Por isso inclino-me mais para que os Guides tivessem o mesmo estilo de uniforme de hussardo, ou com a casquete modelo 1786 ou, quanto muito com mirliton que era o que os hussardos  usavam na altura, do que com o busby.




Percebe-se agora porque é que o Regimento de Caçadores a Cavalo da Guarda Imperial sempre foi o responsavel pela segurança directa do Imperador e porque é que um dos seus 6 esquadrões era contituido por... Mamelucos! É uma tradição que teve origem na Campanha do Egipto  :)
« Última modificação: 09 Fevereiro 2012 04:02:00 pm por JEspecial »
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JEspecial

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Re: A Estrda do Cairo
« Responder #2 em: 09 Fevereiro 2012 04:33:37 pm »


Depois do Comando vamos formar unidades para representar as Divisões, arredondando para baixo.

Division Desaix
Comandante: Général Louis Charles Antoine Desaix
•   Efetivo: 5 600 homens
o   21e demi-brigade d'infanterie légère 1x 6 Bases (3 ordem unida, 3 atiradores)
o   61e demi-brigade d'infanterie de ligne 1 x 6 Bases
o   88e demi-brigade d'infanterie de ligne 1 x 4 Bases
 
Division Reynier
Comandante: Général Jean-Louis Reynier
•   Efectivo: 3 450 homens
o   9e demi-brigade d'infanterie de ligne 1 x 4 Bases
o   85e demi-brigade d'infanterie de ligne 1 x 4 Bases

Division Kleber
Comandante: Général Jean-Baptiste Kléber
•   Efectivo: 4 900 homens
o   2e demi-brigade d'infanterie légère 1 x 4 Bases (2 Ordem Unida, 2 Atiradores)
o   25e demi-brigade d'infanterie de ligne  1 x 4 Bases
o   75e demi-brigade d'infanterie de ligne  1 x 4 Bases
 
Division Menou
Comandante: Général Jacques-Francois Menou
•   Efectivo: 5 200 hommes
o   22e demi-brigade d'infanterie légère 1 x 4 Bases (2 Ordem Unida, 2 Atiradores)
o   13e demi-brigade d'infanterie de ligne 1 x 6 Bases
o   69e demi-brigade d'infanterie de ligne 1 x 4 Bases

Division Bon
Comandante: Général Louis André Bon
•   Efectivo: 4 700 hommes
o   4e demi-brigade d'infanterie légère 1 x 4 Bases (2 Ordem Unida, 2 Atiradores)
o   18e demi-brigade d'infanterie de ligne  1 x 4 Bases
o   32e demi-brigade d'infanterie de ligne  1 x 6 Bases
 
Division Dumas (cavalerie)
 Comandante: Général Alexandre Dumas (depois Murat)
•   Effectif: 3 050 hommes
o   7e régiment bis de hussards + 22e régiment de chasseurs à cheval 1 x 6 bases
o   3e régiment de dragons +18e régiment de dragons 1 x 4 Bases
o   14e régiment de dragons +15e régiment de dragons 1 x 6 bases
o    20e régiment de dragons 1 x 4 Bases
 

 Isto tudo dá 14 unidades de infantaria e 4 de cavalaria, o que me parcece demasiado para um exercito de mesa, por isso não vou fazer a Divisão Kleber nem uma das unidades de Dragões (estão destacados em guarnição noutro sitio qualquer!) para ficar com um total de 11 Demi-Brigades e 3 grupos de cavalaria.

Venha a artilharia!
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JEspecial

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Re: A Estrda do Cairo
« Responder #3 em: 10 Fevereiro 2012 05:29:58 pm »

A artilharia do período da Republica é ligeiramente diferente da do Imperio.

Em termos materiais é exatamente igual, usando o Sistema Gribauval de 1765.



Este sistema não só revolucionou a produção das peças (cuja alma passou a ser brocada e não moldada, o que permitiu uma melhor ajustamento do tubo ao projectil, com grande ganhos em alcance e precisão) mas também a total normalização de todos os componentes das peças e respectivo trem. Neste sistema só havia dois tamanhos de rodas, por exemplo o que permitia a roda partida de um canhão fosse substituída por outra de um atrelado. Isto para nós é obvio, mas na época foi uma revolução tremenda




Onde se pode ver a diferença é na forma como ela é enquadrada no conjunto de forças. Enquanto que no Imperio as baterias são recursos fixos de Divisões e Corpos, na Republica elas estão centralizadas ao nível do Exercito numa “Divisão” comandada por um General, sendo atribuídas ás Divisões de infantaria conforme o papel que cada uma irá ter nos combates desse dia. É isto que permite a constituição de grandes baterias para bater concentradamente sectores da linha inimiga, como aconteceu em Valmy.

No imperio este papel de Grande Bateria será desempenhado pela artilharia da Guarda Imperial (e apenas nos teatros onde esta opere…) mas na Republica é frequente vermos várias baterias em agrupamentos independentes das Divisões de Infantaria.

E o que é que isto implica em termos de jogo? Nada! Mas é útil para eu não ter problemas de consciência se juntar 6 ou 8 bases de artilharia e obliterar um regimento inimigo numa jogada. :)

E a artilharia a cavalo?




Embuido daquele fervor revolucionário que permite testar todas as novas ideias, a Artilharia a Cavalo era nesta altura considerada uma nova Arma, independente das tradicionais infantaria, cavalaria e artilharia. Misto de cavalaria e de artilharia, era suposto ter a mobilidade e o elan da primeira, com o poder de fogo da segunda, estando especialmente vocacionada para o apoio próximo dos ataques da infantaria, ou para ser concentrada para repelir ataques, ou explorar oportunidades

Uma espécie de artilharia de assalto, mas com cavalos e madeira em vez de lagartas e blindagem!

Durante as guerras da Republica é frequente ver baterias de artilharia a cavalo ao lado da infantaria, durante um ataque, ás vezes sendo desfeitas a tiro de mosquete, só para dar uma ideia da proximidade a que estavam do inimigo. Tambem houve casos em que os 95 serventes da bateria montaram e carregaram, de sabre na mão, inimigos que se aproximavam muito.

Tuo isto iria terminar com o Imperio, sendo estas baterias incorporadas na Arma de artilharia e distribuídas pelas divisões de cavalaria para serem o seu poder de fogo, coisa que nunca funcionou muito bem, uma vez que as peças não conseguiam acompanhar a cavalaria e disparar ao mesmo tempo, a partir do momento em que a Divisão saia da sua posição inicial.
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FMartins

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Re: A Estrda do Cairo
« Responder #4 em: 12 Fevereiro 2012 12:19:19 am »

E é assim que se aprende um pouco mais de História militar francesa!
Obrigado João  :)
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JEspecial

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Re: A Estrda do Cairo
« Responder #5 em: 13 Fevereiro 2012 11:16:25 am »

Muito obrigado!

Está a ser muito interessante esta pesquisa sobre o Exercito do Oriente e sobre os exercitos da Republica. Antigamente tinha a ideia de que eram iguais os Imperiais, mas com bicornio em vez de shako, mas cada vez mais se percebe que são completamente diferentes não só na sua organização como na propria doutrina.

Exemplo disto é a Artilharia a Cavalo, o uso de balões para observação do inimigo (olha o jeitão que dava uns baloes em Waterloo... Era da forma que o Ney não largava os couraceiros tão prematuramente) ou mesmo a tactica de infantaria, que previa um avanço rapido em coluna até alcance de tiro, depois abrir para linha e bater o inimigo a tiro´andes de o carregar em linha *. Nada a ver com as cargas em colunas do periodo Imperial.

Mas é aqui que podemos ver a origem de muita coisa de periodo Napoleonico, sem duvida.


*Claro que o que frequentemente acontecia era durante essa manobra o batalhão perder coesão e acabar numa nunvem confusa de atiradores em ordem dispersa. O que acabava por não ser mau na pratica, desde que o inimigo ficasse quieto (e normalmente ficava,!)  ja que ofereciam um alvo menos denso ao tiro inimigo e o efeito de desgaste pelo fogo acabava por ser conseguido. Só era necessário que depis viesse outro batalhão em ordem unida para carregar com baioneta e levar batalhão (o que está disperso) tambem na onda.
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JEspecial

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Re: A Estrda do Cairo
« Responder #6 em: 13 Fevereiro 2012 12:01:40 pm »

Esta filosofia Revolucionaria Francesa de usar a Artilharia a Cavalo (também chamada Ligeira) em funções de assalto tem um impacto directo em termos de jogo, já que permite que estas baterias sejam usadas de forma centralizada para apoiar ataques de infantaria ou como reserva móvel de fogos, de uma forma como um jogador com um exército (napoleónico francês) imperial não consegue.

Vamos fazer um intervalo para ver uma peça de 8 a ser disparada no Porto. Os uniformes são da artilharia do Imperio, mas é igual ao da Republica, excepto que usariam bicornio em vez de shako.


http://www.youtube.com/watch?v=D8cfX8C2bJQ

Estavam a disparar tranquilamente, mas em batalha a cadencia seria bem mais rápida. Repararam na viviandeira a ajudar a transportar munições?

Optei por fazer 2 unidades de artilharia a cavalo e 2 unidades de artilharia pé a 2 bases, mais por causa do material que lá tinha em casa do que por outro motivo. Ao contrário da infantaria e da cavalaria que estão montadas em bases quadradas de 3cm; as de artilharia optei por monta-las em bases quadradas de 4 cm por razões prosaicas: É assim que em Shako estão baseadas e principalmente porque as peças não cabem em bases de 3cm de lado!

Cada bateria de artilharia a cavalo terá também uma base de 12cm x 4cm de trem e faço só mais uma base de trem para a artilharia a pé, já que esta é suposto não se estar sempre a mexer-se

.


Já as “9 Companhias de Demi-Brigade” deixam-me intrigado. Pelo nome diria que se tratava de artilharia regimental: Peças pequenas servidas maioritariamente por soldados do regimento liderados por alguns especialistas.

Mas tanto quanto sabia, nem os regimentos do Ancien Regime tinham artilharia regimental, nem as Demi-Brigades da Republica. E no entanto a peça de campanha mais pequena do sistema Gribauval era a de 4 libras que não fazia ideia para que servia, a partir do momento em que descobri que a Artilharia a Cavalo/Ligeira,usava também peças de 8.

Era ligeira por ser veloz, não porque tivesse canhões mais pequenos.

Andei a dar mais uma volta nos meus livros á procura de referencias e outra pela net ate que quase simultaneamente descobri que efetivamente, na Republica, cada Demi-Brigade devia ter 3 canhões de 4 libras.  (1 por batalhão)

Devia… Assim como "devia" ter mais de 3000 homens e "devia" ter outras coisas que nem sempre tinham. Uma coisa é o “dever” e outra o “acontecer”. Por isso a grande maioria das DB nunca viu (ou rapidamente perdeu…) os seus canhões regimentais. Notavel excepção a isto  parece ter sido o Exercito do Oriente que embarcou para o Egipto com um grau de aprovisionamento superior ao dos outros Exercitos, de tal modo que em 14 DB, 9 tinham artilharia

E já agora vejam uma peça regimental de 4 libras a ser usada em Iena, em 2011.

 
http://www.youtube.com/watch?v=3II3mgbe55o
« Última modificação: 13 Fevereiro 2012 12:07:19 pm por JEspecial »
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Re: A Estrda do Cairo
« Responder #7 em: 13 Fevereiro 2012 03:14:20 pm »


Vamos deixar por um momento a parte histórica e vamos ao que interessa: As figuras!

Para FOG:N o aspeto de um regimento de infantaria, de tamanho normal (4 bases) naquilo que as regras chamam “formação tactica”, é o seguinte:




18ª Demi-Brigade de Bataille, Divisão Bon

Esta formação pretende representar um conjunto de linhas e/ou colunas (que na realidade mais não eram do uma serie de linhas) dispostas da forma como o Coronel achou melhor, face á missão indicada, o inimigo e o terreno.

Num jogo as unidades de infantaria passam 80% do tempo nesta formação É algo um bocado herético, comparado com outras regras Napoleónicas, que nos habituaram a constantemente termos de optar entre várias formações, cada uma com a sua vantagem e movimentos diferentes, num jogo de Tesoura-Papel-Pedra.

Aqui não. Aqui, quanto muito podemos optar por esticar a formação (meter todas as bases lado a lado) para acompanhar uma peça de terreno linear ou para ocupar mais frente (mas com menos resiliência)
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JEspecial

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Re: A Estrda do Cairo
« Responder #8 em: 21 Fevereiro 2012 05:19:53 pm »

Não julguem que isto está esquecido! Tirei umas fotos ao que estive a pintar nestes dias e dentro em breve vou ter mais novidades

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Re: A Estrda do Cairo
« Responder #9 em: 23 Fevereiro 2012 11:19:07 pm »

Também pintaste uma Esfinge?!? Espectáááculo!  8)

Até agora estou a adorar o teu "relato". Podes continuar.
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Re: A Estrda do Cairo
« Responder #10 em: 24 Fevereiro 2012 09:28:09 am »

Cidadão Martins,

Sabei que ainda hoje publicarei mais uns relatos desta campanha! E com obeliscos e tudo!
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JEspecial

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Re: A Estrda do Cairo
« Responder #11 em: 24 Fevereiro 2012 06:36:29 pm »

Tenho aqui algumas (más…) fotos do que já fiz e de trabalhos em curso.

Começamos com a Divisão Desaix, composta por duas Demi-Brigades a 6 bases (uma delas, Ligeira, ainda a ser pintada, uma de 4 bases e o dito Desaix de chapeu emplumado “comme il faut”



A Demi-Brigade que está a ser pintada (21ª Leger) tem a particularidade de usar o uniforme que foi confecionado localmente e que era das cores mais diversas.  No caso azul bebe com vivos amarelo.  (o que é que querem? Era o pano que havia!)

Outra particularidade é que a dada altura passou a ser quase totalmente constituida por escravos Nubios comprados pelos franceses e libertados, o que é mais do que motivo para pintar esta unidade.

Só como aparte, a maior parte destes Nubios vieram com os Franceses quando estes são repatriados (pelos ingleses..) e foram distribuidos por muitos regimentos, como musicos. E pronto! Já sabem a origem dos musicos negros nas bandas regimentais do exercito frances!




Uma das Demi-Brigades tem um canhão regimental



E aqui alguma da cavalaria. Um grupo grande de Dragões (vou pintar outros de 4 bases) formado pelo 14º e 15ª de Dragoes, com uma unidade de cavalaria irregular ao lado. Podem também ver uma das baterias de Artilharia a Cavalo.


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Re: A Estrda do Cairo
« Responder #12 em: 29 Fevereiro 2012 04:26:44 pm »

Esta coisa de andar a pesquisar um exercito ás vezes troca-nos os planos de pintura!

De acordo com o que indiquei uns posts atras, estava a pensar  fazer um único grupo grande  (6 bases) de cavalaria ligeira com o 7ebis de hussards (4 bases)  + 22e chasseurs à cheval (2 bases)

Estava eu já prontinho para dar ao pincel quando descubro que o coronel do 22 Chasseurs a Cheval no Egipto era nem mais nem menos do que … Lassale!



Ora o Lassale, para quem não é fâ dos napoleónicos, é só dos melhores generais de cavalaria do tempo, e com uma vida que foi um paradigma do espirito hussardo. É o equivalente em 2GM a descobrir que numa unidade obscura de um Frei Korps da Republica de Weimar estava lá o Rommel. Tem de ser feito!

Ora se no 22 de Caçadores a Cavalo está o Lassale, este tem de ser representado com uma figura á parte. Não posso simplesmente dizer “ – Ah pois e nestas duas bases de LH está o Lassale…” Não!

E aqui as regras de composição de unidades de FOG:N e a Historia vieram em meu auxilio (Estão a ver como o Cosmos ajuda o wargamer que investiga o seu exercito?) de duas formas:  A primeira é que pouco depois de entrar no Cairo, o 22º recrutou pouco mais de uma centena de mamelucos para as suas fileiras portanto quando arranca para Sul em direcção a Assuão com a Divisão Desaix, devia ter perto de 400 sabres, o que já justifica uma terceira base. A segunda é que um dos “melhoramentos” que uma unidade pode ter é um “general” que fica fixo nessa unidade e que substitui uma das bases da unidade.

Pronto! Como ainda por cima tenho uma figura do Lassale, fica tudo perfeito!

(E não é que um dos brigadeiros da Divisão Kleber era o Lannes? Este exército é só cromos!)

« Última modificação: 29 Fevereiro 2012 04:28:41 pm por JEspecial »
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Re: A Estrda do Cairo
« Responder #13 em: 01 Março 2012 06:18:25 pm »

Atão e o Joachim “Ney Mattogrosso” Murat??? Ele também estava por lá... Porque é que a malta nunca o representa, hã? É por causa das plumas, é?!?  :D
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Re: A Estrda do Cairo
« Responder #14 em: 07 Março 2012 09:47:31 am »

Nunca? Calma, cidadão Martins! O cidadão general Joachin Murat irá comandar a cavalaria de Exercito do Oriente, depois do afastamento do cidadão general Dumas (o avõ)
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