Redinha – 12 de Março de 1811

 

Após a Batalha do Buçaco em 27 de Setembro de 1810, as forças Anglo-Lusas retiraram-se para as linhas de Torres Vedras, onde esperavam deter o avanço Francês em direcção à capital Portuguesa. Durante a retirada foi aplicada uma politíca de terra queimada, evacuando as populações, queimando e devastando tudo quanto não pudesse ser transportável e de que alguma forma pudesse vir a ser utilizado pelos Franceses. Ao deparar com as linhas de Torres, Massena considerou de imediato que o Exército de Portugal que comandava, não dispunha de forças suficientes para vencer tão formidável posição. Assim resolveu esperar por reforços, tendo de permanecer numa terra devastada que segundo Wellington pouco poderia proporcionar para a subsistência de um exército. No entanto e contra todas as expectativas, o Exército de Portugal conseguiu manter-se na área de Santatrém até Março de 1811 tendo passado um Inverno tenebroso com as maiores privações sobretudo na alimentação, sofrendo ataques constantes dos guerrilheiros Portugueses, o que provocaram um grande volume de baixas quer por combate, fome ou deserção, mas sobretudo contribuíram grandemente para a quebra do moral das tropas Francesas.

Em 19 de Fevereiro, verificando que dificilmente lhe chegariam reforços em quantidade suficiente para manter uma campanha ofensiva, resolveu dar a ordem de retirada para a zona de Coimbra a norte do rio Mondego onde esperava encontrar o necessário para poder montar uma nova base de operações até à chegada de reforços. Em 3 de Março as forças do VIº Corpo sob as ordens do Marechal Ney seriam as primeiras a fazerem-se à estrada dirigindo-se para Coimbra via Tomar, Leiria e Pombal. A 6 de Março Santarém estava já totalmente evacuada quando as forças Anglo-Lusas deram pela manobra dos Franceses, sendo assim uma manobra executada com pleno sucesso. Nessa mesma noit de 6 de Março, a Divisão de Loison que se encontrava em Punhete, queimou o trem de pontes e retirou rapidamente para Tomar. O IIº Corpo deixou também Galegão a caminho de Tomar dirigindo-se seguidamente para Espinhal a 8 de Março. Nesse mesmo dia, o VIº e IXº Corpos retiraram de Leiria para Pombal onde o Exército de Portugal se deveria concentrar no dia seguinte.

Entretanto as forças Anglo-Lusas tinham iniciado a perseguição encontrando-se já muito perto da rectaguarda Francesa. A 10 de Março Ney recebeu a notícia de que as Milícias Portuguesas tinham destruido a Ponte sobre o rio Mondego em Coimbra e vigiavam todas as outras possíveis passagens. Sendo neste momento o VIº Corpo a rectaguarda do exército de Portugal e estando as forças Anglo-Lusas já muito próximas, Ney resolveu preparar-se para dar combate em Pombal. No entanto, nesse dia nada ocorreu pelo que no dia seguinte, resolveu de novo continuar a retirada da suas forças enquanto uma das divisões do VIIIº Corpo de Junot era enviada em reforço de Montbrun para assegurarem uma passagem no rio Mondego.

Enquanto os feridos, a bagagem, e o grosso das tropas se dirigiam para norte, uma pequena força do VIº Corpo manteve-se em Pombal a fim de guardar a ponte por onde passava a estrada principal e destruí-la assim que passasem as últimas tropas Francesas. Esta força era constituída pelo 6º Reg. Ligeiro, um batalhão do 69º Reg. de Linha e uma pequena força de sapadores que deveriam destruir a ponte. No entanto as forças avançadas Anglo-Lusas, nomeadamente a Divisão Ligeira, lançou um rápido ataque assim que chegou a Pombal, surpreendendo as tropas Francesas que guardavam a ponte, capturando-a intacta. Apesar de um contra-ataque Francês liderado pelo Coronel Fririon que deteve e fez recuar os Anglo-Lusos, estes conseguiram manter-se sempre na posse da ponte até ao anoitecer, altura que os Franceses aproveitaram para quebrar o combate e retirar a coberto de uma barragem de artilharia que pôs muitas das casas de Pombal a arder.

A 12 de Março, o VIº Corpo encontrava-se na zona de Redinha, onde Ney recebendo a notícia de que ponte de Pombal não tinha sido destruída resolveu dispôr as suas tropas mais uma vez para combate a fim de parar as tropas Anglo-Lusas, dando algum tempo ao resto do Exército de Portugal para ganhar algum avanço.

 

A Batalha

Na manhã de 12 de Março a guarda avançada do exército Anglo-Luso, constituída pelo 1º Reg. de Dragões, 1º Reg. de Hussars da KGL, Brigada Independente Portuguesa e Divisão Ligeira, saiu de Pombal dirigindo-se para norte em perseguição do exército Francês. Logo após Venda da Cruz na zona de Redinha, depararam com formações Francesas em posição de combate nas colinas da região.

Ney dispôs na colina a sul de Redinha duas das suas divisões. À esquerda a Divisão de Mermet e à direita a Divisão de Marchand colocando entre as duas a Brigada de Cavalaria comandada pelo General Lamotte.

Erskine, o comandante da vanguarda Anglo-Lusa disposto a obter uma vitória rápida tal como no dia anterior em Pombal, colocou as suas tropas em linha e com o apoio da bateria de artilharia a cavalo do RHA iniciou o seu ataque às posições Francesas. A 3ª Divisão de Picton chegou também entretanto ao campo de batalha e foi de imediato envolvida no ataque ao bosque cobria o flanco esquerdo da posição Francesa. O avanço Anglo-Luso foi no entanto detido e Wellington que entretanto também chegou deu ordens para que se aguardasse pela 4ª Divisão para renovar os ataques e varrer as forças Francesas da colina.

A 4ª Divisão só chegou por volta das 15h00, o que entretanto deu tempo a Ney para fazer retirar a Divisão de Marchand e coloca-la numa colina na outra margem do rio Ancos e assim cobrir uma eventual retirada do resto das suas tropas. No entanto esta manobra deixou a Divisão de Mermet isolada e em grande inferioridade contra as forças Anglo-Lusas que agora somavam cerca de 18.000 homens contra os cerca de 6.500 Franceses.

O ataque recomeçou e tal como esperado os Franceses foram obrigados a recuar, tendo no entanto e apesar das grandes dificuldades da manobra, conseguido escapar através da pequena ponte sobre o rio Ancos com a cobertura da Divisão de Marchand.

Após este combate as tropas Francesas tornaram a posicionar-se defensivamente cerca de 3 Km a Norte mas também aí não tiveram mais sucesso, tendo de continuar a sua retirada em direcção à fronteira com Espanha.

 

 

Reconstituição da Batalha

 

A. – O Terreno

 

O campo de batalha da Redinha situa-se entre Pombal e Condeixa e foi escolhido por Ney por apresentar boas características defensivas sobretudo a colina a sul da localidade. Esta colina é comprida estendendo-se no sentido Este – Oeste estando coberta por vegetação rasteira com excepção dos dois bosques situados nas suas pontas Este e Oeste. A estrada principal atravessa a colina passando por Redinha que se situa imediatamente a Norte da colina. Pela Redinha passa o rio Ancos um pequeno rio mas que só é atravessavel pela ponte. A sul de onde provém as forças Anglo Lusas situa-se outra colina também atravessada pela estrada. Ambas as colinas não apresentam dificuldades de maior para a movimentação das tropas.

 

 

B. – Ordem de Batalha

 

B.1 – O Exército Anglo-Luso

 

Guarda Avançada (Major-General Sir William Erskine)

Cavalaria

1 x Reg. Dr + 1 x Reg Hu (KGL)

Divisão Ligeira (Major General Craufurd)

4 x Bat. Reg. Lg + 2 x Bat. Sk

Brigada Independente Portuguesa (Ten. Cor. Denis Pack)

4 x Bat. Reg Ln + 1 x Bat. Sk

Artilharia

1 x Bate. HsG

Reforços

3ª Divisão (Major General Picton)

Britâncos – 6 x Bat. Reg Ln + 1 x Bat. Sk

Portugueses – 4 x Bat. Reg Ln + 1 x Bat. Sk

4ª Divisão (Major General Lowry Cole)

Britâncos – 6 x Bat. Reg Ln + 1 x Bat. Sk

Portugueses – 4 x Bat. Reg Ln

 

 

B.2 – O Exército Francês

 

VI Corpo (Marechal Ney)

1ª Divisão (GD Marchand)

12 x Bat. Reg Ln + 2 x Bat. Sk

2ª Divisão (GD Mermet)

12 x Bat. Reg. Ln + 2 x Bat. Sk

Brigada de Cavalaria (GB Lamotte)

1 x Reg. Hu + 1 x Reg. Ch

Artilharia de Corpo

1 x Bate. FtG + 1 x Bate. HsG

 

 

B.3 – Resumo de Efectivos

 

Aliados
Franceses

Infantaria

28

24

Cavalaria

2

2

Artilharia

1

2

 

C – Objectivos

 

C.1 – Anglo Lusos

Após tomarem conhecimento que forças Francesas ocupavam uma colina perto de Redinha, a guarda avançada do exército Anglo-Luso comandada pelo Gen. Earskin, vai tentar passar mais esta barreira da mesma forma como o tinha feito no dia anterior em Pombal. Temendo no entanto que à sua frente estivesse o exército Francês em peso, Earskin resolveu esperar pelas Divisões de Picton e Cole.

O objectivo das tropas Anglo Lusas é o de destruir as tropas Francesas que defendem a colina e tomar a ponte que atravessa o rio Ancos em Redinha durante a duração do jogo - 12 jogadas.

 

C.2 – Franceses

Em 12 de Março, as tropas Francesas do VIº Corpo receberam ordens para atrasar o avanço Inglês que no dia anterior havia conseguido passar o bloqueio em Pombal após combates violentos. Ney dispôs duas das suas Divisões numa colina a sul de Redinha que lhe proporcionavam uma boa posição defensiva e assim deter o avanço Inglês até ao caír da noite conforme lhe havia sido solicitado por Massena.

O objectivo Francês é assim o de aguentar as suas posições defensivas até ao final do jogo, devendo em simultâneo manter em aberto a passagem sobre o rio Ancos, por onde supostamente se retirará depois.

 

 

D – Colocação das Tropas

No início do jogo as tropas Aliadas encontram-se colocadas na colina sul da seguinte forma:

·        Divisão Ligeira à esquerda da estrada;

·        Brigada independente Portuguesa do Cor. Pack à direita da estrada;

·        Cavalaria dividida pelos dois flancos em cobertura.

As restantes unidades entram na mesa de jogo da seguinte forma:

·        2ª jogada – A 3ª Divisão de Picton que deverá participar no ataque pelo lado direito da estrada;

·        2ª jogada + dado de média -  A 4ª Divisão de Cole que deverá tomar posição ao centro, entre as Divisões Ligeira e 3ª de Picton.

Os reforços, poderão deslocar-se a velocidade dupla, até se encontrarem a 60 cm de forças adversárias.

As tropas Francesas encontram-se posicionadas defensivamente na aldeia de Redinha e na colina a sul da mesma. A colocação deverá ser a seguinte:

·        A Divisão de Mermet à esquerda ocupando a aldeia de Redinha e parte da colina;

·        A Brigada de Cavalaria do gen Lamotte ao centro na colina;

·        A Divisão de Marchand cobrindo o flanco esquerdo na colina.

A artilharia poderá ser colocada onde os jogadores Franceses pretenderem.

 

 

E – Duração do Jogo

O jogo deverá ter uma duração de 12 jogadas.

 

 

 

F – Estabelecimento de Vitória

Neste cenário o estabelecimento de vitória está confinado aos objectivos de cada um dos lados. Assim o Exército Anglo-Luso será vencedor se no final das 12 jogadas, ou antes, tiver feito recuar ou fugir todas as unidades Francesas que se encontravam na colina e na aldeia de Redinha.

O Exército Francês será vencedor se até ao final do jogo conseguir repelir todos os ataques Anglo-Lusos e se mantiver com pelo menos metade das suas tropas na colina a sul de Redinha.

Se no final ambos os lados se mantiverem a lutar pela posse da colina é considerado um empate, excepto se entretanto a aldeia de Redinha já tiver caído nas mãos das forças Anglo-Lusas. (Isto teoricamente impossibilitaria a retirada das forças Francesas pelo mesmo caminho do resto do exército.)

 

 

Legenda

 

GC – General de Cavalaria

GD – General de Divisão

LtG – Tenente General

GM – Major General

GB – General de Brigada

Reg. – Regimento

Bat. – Batalhão

Bate. – Bateria

FtG – Artilharia a Pé

HvG – Artilharia Pesada

HsG – Artilharia a Cavalo

Gd – Guarda

Reg Ln – Linha Regular

Reg Lg – Ligeiros Regular

SR – Linha Segunda Classe (Milícias)

Sk – Escaramuçadores

Cr – Courasseiros

Dr – Dragões

Hu – Hussars

Ch – Caçadores a Cavalo

La/Uh – Lanceiros/Uhlanos

Cv SR – Cavalaria de Segunda Classe (Milícias)

Cs – Cossacos